Arte Pública
Alberto Carneiro
Dedicou-se sobretudo ao pensamento e ao exercício da escultura, trabalho que desenvolveu numa estreita relação com a natureza e através do conceito de Arte Ecológica (1968-1971) e Arte Pública, sobre os quais escreveu e apresentou, aprofundadamente, em diversas entrevistas, conferências e simpósios internacionais.
A par de um vasto conjunto de obras em espaços públicos em Portugal e no estrangeiro, do ocidente ao oriente, o escultor deixou ainda um assinalável conjunto de desenhos, entre eles os que constituem uma parte da exposição permanente no CAAC e várias publicações sobre os principais temas da sua trajetória artística, e que têm a ver com o que ele designou de “simbiose estética”.
Alberto Carneiro concebeu e organizou dez Simpósios Internacionais de Escultura que deram origem ao atual Museu Internacional de Escultura em Santo Tirso, ao ar livre. E, em Carrazeda de Ansiães, entre 2000 e 2009, imaginou e implementou o Parque Internacional de Escultura, onde encontramos a emblemática obra Os sete livros da arte e da vida.
Obras como O Canavial: Memória-Metamorfose de um corpo Ausente (1968); Um campo depois da colheita para deleite estético do nosso corpo (1973-76); Uma floresta para os teus sonhos, representam não apenas uma mudança crucial na obra do artista como participam da mudança de paradigmas da arte a partir de 1960/70. Estas obras transformaram os observadores em participantes, colocando-os em cena, na qual se tornam os atores principais. Neste caso, poderiam sê-lo no meio de uma seara, de um oásis, de uma floresta, de um curso d’água, que Carneiro, como Oiticica, chamou de obras penetráveis.
As obras penetráveis propiciam o encontro de vivências e experiências de liberdade, a partir das quais o corpo físico e mental adquirem uma nova dimensão sensível: o corpo subtil.
O corpo subtil foi um conceito explorado por Alberto Carneiro para expressar através da linguagem a passagem de um estado a outro estado, de uma perceção a outra perceção, pela consciência de uma manifestação sensível verdadeiramente transformadora. Manifestação essa para a qual o artista trabalhou incansavelmente na arte como na vida.